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Sexta-feira , 06 de Julho de 2007

NEM A ROSA, NEM O CRAVO...

(...)Mas sei todas as palavras de ódio, do ódio mais profundo e mais mortal. Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo.(...) Sobre toda a beleza do mundo, sobre a
farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus
olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles
tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela
de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e
frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não
encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas
encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os
inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça,
a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam
esmagar a poesia, o amor e a liberdade!


Jorge Amado


O texto acima foi publicado no jornal Folha da Manhã, edição de 22/04/1945, e consta do livro Figuras do Brasil: 80 autores em 80 anos de Folha, PubliFolha - São Paulo, 2001, pág. 79,
organização de Arthur Nestrovski.


Escrito por Nara Correia às 10:21:03 AM
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